Vivemos num tempo de caos espiritual. As pessoas naturalmente estão se distanciando de Deus, à medida que se aproximam dos atrativos deste mundo, dos compromissos que lhe roubam o tempo, das diversões, do trabalho, dos conflitos no campo das paixões, da família e especialmente quando o assunto é dinheiro.
Na contramão, vai um exército de pessoas que procura apoio na fé, nas religiões e doutrinas, a fim de encontrarem o equilíbrio na balança da vida. A maioria destas pessoas já se decepcionou com as inúmeras tentativas frustradas de encontrarem amor, felicidade, sucesso financeiro e paz. Já cansaram, mas não desistem de encontrar um caminho, um rumo, uma saída.
Entre elas, estava eu, há pouco tempo, certa de que estava no bom caminho, quando descobri que precisava de ajuda para salvar a minha fé.
Sim, eu sempre soube que sem fé eu jamais conseguiria viver. Os problemas desta vida eram pesados. Eu não sofria só por mim. Sofria em ver os outros sofrendo. Ainda nova, descobri que existia um Salvador, um lugar de paz e segurança para viver eternamente, um amor pleno e um poder imbatível. Descobri que aquele Deus da Bíblia existia e me amava. Descobri que a fé é poder que torna a vida sublime com bençãos maravilhosas e paz transbordante.
A maturidade me fez ver que nem todos que conhecem o mesmo Deus e professam a mesma fé tem zelo por este tesouro. Nem todos o valorizam.
Na verdade, passou a ser comum para mim ver pessoas carregando nos lábios o nome de Jesus e expressando uma fé que não praticavam. Vi com isso, o nome santo de Jesus sendo motivo de descrédito por culpa da vida impura de falsos cristãos.
Vi também denominações inteiras sendo afetadas pelo erro de seus líderes e contaminadas pelas vaidades e competições internas.
Vi que a ostentação inflamou as pessoas que faziam das igrejas os seus clubes.
De repente eu estava lá, junto delas, sendo cobrada interiormente a não olhar para o homem e sim pra Jesus. Com receio de me afastar, era exatamente o que fiz por vários anos: ignorei os erros dos outros e olhei fixamente para o meu alvo.
Mas, estava num território contaminado pelo falso entendimento dos princípios da fé, onde só havia abuso de poder e manipulação da Palavra, onde o pretexto de se fazer de louco para ganhar os loucos, acabou fazendo a igreja se tornar pagã e herege, com práticas de barganha, um verdeiro mercado, onde em troca de resultados da fé, sacrifica-se dinheiro, o tudo, e recebe-se elementos ungidos em troca de promessas de transformação e vitória.
Frequente também, é participar desta barganha somente para não ser mal visto entre os demais e provar o alto grau de fé: uma competição, um leilão de bençãos. Buscar o Deus que faz é o mesmo que dizer que Ele é servo e não Senhor. Muito triste pensar assim. Pois o que interessa para muitos é exigir de Deus que Ele manifeste seu poder, como se Ele fizesse isso por obrigação para atender nossa exigência presunçosa, e não porque seu amor e misericórdia o compelem a fazê-lo ou por que sua promessa e vontade superam em muito nossos planos.
Diante disso, quando os olhos se abrem, como fica a fé ?
Como fica a fé quando se descobre que estamos do lado errado nesta guerra; ou seja, vestimos a farda do inimigo, sem perceber? Pois deixa-se de praticar o amor e a santificação para exibir conquistas financeiras e a imagem de uma pessoa bem-sucedida, através de mecanismos gananciosos da fé, que convencem os fiéis de que é possível colocar Deus na parede, em desafios financeiros e ganaciosos.
Enquanto as pessoas caem neste esquema tão falível e notoriamente farsante, homens sem temor vão estabelecendo patrimônios fartos.
Uma vida verdadeiramente santificada repudia esse tipo de barganha, essa vaidade e competição. Mas é preciso ter coragem de encarar os fatos. E sem receios de perder o sentido da vida e o verdadeiro caminho da fé, é preciso reconstruir dentro de si os alicerces espirituais através da compreensão da Palavra, que nos ensina a viver como Cristo. Só assim, é possível levantar a igreja em ruínas que está dentro de si. Dentro de cada um de nós. Nós somos a igreja!
É preciso salvar a própria fé. Eu precisei pedir socorro.
Deus abriu meus olhos e eu vi. Não pensei duas vezes, não tentei justificar. Reconheci que trilhei um atalho que me levava à perdição, enquanto eu tinha a bússola nas mãos: a Palavra de Deus e o seu Espírito.
Errei, porque não estive alerta. Talvez, me senti satisfeita em apenas ter uma denominação e ter aceito Jesus um dia. Mas, devemos saber que a vigilância precisa ser constante, pois a verdadeira igreja somos nós, onde estivermos.
A congregação é útil para crescimento, aprendizado e compartilhamento de experiências e amor na vida cristã; mas... quando as portas físicas se fecharem, uma porta espiritual estará sempre aberta em seu coração, dentro de nós, em nossa mente, em nosso espírito.
O encontro com Deus é íntimo. Uma vez tendo se realizado, saberemos quem Ele é e como chegar a Ele. Nossa oração, nossas necessidades, nossas lágrimas, nossas urgências? Ele saberá. Respeitaremos sua vontade e seu sábio tempo.
Nos submeteremos por amor ao seu querer.
Clamaremos e seremos ouvidos.
Praticaremos seus mandamentos, exercitaremos um comportamento digno, atenderemos ao seu chamado em socorro dos aflitos e dos que estão sem esperança.
Esse amor infinito e transbordante por Deus e pelo próximo não cabe em 4 paredes, não se limita ao espaço físico de um templo. O templo somos nós, individualmente.
Um dia não haverá portas nem poderemos congregar com outros irmãos. Não haverá um pastor. Haverá tempos de grande tribulação até que venha o fim. Por isso, precisamos desde já assumir nossa autonomia na fé e seguir em direção a Jesus, nesse caminho solitário. Buscando irmãos, ajudando, mas...conscientes que ultrapassaremos sozinhos a porta da salvação, segundo nossa fé. Vamos lá, juntos! Vamos! Seguindo em frente, superando as decepções. Alertas sempre! Pois os lobos vorazes estão por todo o caminho, seduzindo, enganando, desviando nossa atenção.
E este engano está sutilmente oculto dentro das igrejas, em rituais aparentemente santos, mas que são anti-bíblicos. Deus não quer imagens, não quer que nos apeguemos a objetos ungidos, não quer água, sal, rosa, arca, cruz ou coluna, nem mezuzah, nem nada que seja simples símbolo, por mais inofensivo e carismático que pareça. Todas essas coisas ousam limitar a grandeza e soberania de Deus, pois nunca um objeto criado por homens, ou algo criado por Deus, jamais conseguirá reter em si o poder que vem do Altíssimo. Ele não quer nada em nossas casas que o represente. Nem que venhamos usar essas coisas como convite para outros. Sua Palavra e seu amor bastam. Não podemos disseminar essa prática contrária à Palavra. Deus quer que venhamos conhecê-lo como Ele é, sem recursos menores ou argumentos que convençam, mas não convertam.
Temos que seguir a Palavra com fé e praticarmos o que Ele nos ensina. Sendo exemplo em nossas atitudes para formar novos crentes.
Talvez, você, como eu, já ouviu que só irá ganhar pessoas pra Jesus através de seu testemunho financeiro. Isso é uma mentira. Você ganha através da sua boa conduta, digna do Evangelho que você prega e através da paz que excede todo entendimento e que estará em sua vida, no seu proceder, em sua casa, sendo transmitida aos seus amigos e familiares, aos seus companheiros de trabalho ou de escola, aos vizinhos, e a todos que cruzarem seu caminho e tiverem a oportunidade de observar seu proceder, ver a luz que é Jesus em sua vida, em seu olhos, no seu tom de voz e na sua fé.
Vim de uma igreja que tinha tudo para ser de Deus, pois existe dentro dela um povo fiel, intrépido, ousado na fé, cheio de garra e submisso. Um povo sedento de Deus e determinado. Um povo avivado, ativo, desperto! Mas, infelizmente, um povo que acredita cegamente em seus líderes e não prova os espíritos para saber se estão sendo enganados. Um povo que aprende a Bíblia pelos versículos que inspiram as campanhas e não pelo contexto da mensagem na íntegra. Um povo que aprende a sacrificar e é capaz de sacrificar cada vez mais, mas...sempre em troca de algo, como se fosse preciso...Sinto falta daquela intrepidez e intimidade com que se fala com Deus e se busca a sua presença. Mas, uma coisa hoje eu sei: as coisas boas devem ser retidas e as más, delas, devemos nos afastar. Retive o que é bom e posso praticar este bem em todo lugar, pois sou livre. Não tenho o rótulo de uma igreja, não pertenço a uma denominação. Sou de Cristo! Eu sou a igreja de Cristo!
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